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Entrevista/Interview

Entrevista: Gustavo Gianetti, Mister Mundo 2003

O bom mineiro

Uma das mais fortes impressões que ficaram da final do concurso Miss/Mister Maringá, realizado no final do ano passado naquela cidade paranaense, foi a comoção causada pela presença do Mister Mundo 2003, o modelo mineiro Gustavo Gianetti.
Crianças, adolescentes, mulheres de todas as idades e até homens cercaram o nosso Mister Mundo, todos atrás de um autógrafo ou de uma foto. Histeria parecida, só aquela provocada pela eterna Miss Brasil Martha Rocha nos eventos que comemoram os 50 anos do mais importante concurso de beleza do País.
Nascido Gustavo Cabral Narciso em Minas Gerais, sob o signo de Gêmeos, nosso mister venceu no Rio como Gustavo Gianetti, valendo-se do mesmo artifício de iniciais duplas que já fizeram a fama de astros como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot.
Sua fala é rápida, bem articulada, e a mistura de sotaques revela o cidadão do mundo, que usa palavras no diminutivo para intensificar suas idéias.
Poucas horas antes de embarcar para Toronto, onde participaria pela terceira vez do Brazilian Carnival Ball, Gustavo conversou com o Grau10.net e, nesta entrevista, fala sobre suas paixões (a namorada, a família, a China), revela seus planos para o futuro e confessa que, há alguns anos, o espelho não era seu maior aliado (mas se esquece de mencionar, por omissão ou modéstia, que boa estrutura física e personalidade arrebatadora não se conquistam com aparelhos ortodônticos ou lentes de contato). Com vocês, Gustavo Gianetti, nosso Mister Mundo, futuro astro das telas.

Como foram os seus primeiros anos de vida?
Nasci em 1979, em Belo Horizonte, onde morei até os 13 anos de idade. Foi uma época repleta de amizades, no lugar maravilhoso que é a capital mineira, o povo mineiro é bem receptivo, bem caloroso, tenho isso entranhado na minha criação.
Mudei para Ubá, na Zona da Mata mineira, pólo moveleiro, terra da manga, de Ary Barroso, uma terra repleta de encantos, onde fiquei por dois anos e meio, até os 15 anos.
Em 1995, fui para Juiz de Fora, onde até hoje tenho raízes, minha mãe mora lá atualmente. Em 1998, passei no vestibular da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) para fazer o curso de Direito.

Quais eram os seus sonhos de criança?
Sempre sonhei em me formar em Direito, ser promotor de Justiça sempre foi meu sonho. Não tenho advogados na família, mas meu pai queria ser advogado, era o sonho dele, mas, por ironia do destino, fez Administração, que era um curso novo na época dele. Além da afinidade com o curso, sempre tive contato com pessoas que são advogados, pais de amigos meus.

Como surgiu a carreira de modelo na sua vida?
Quem me conhecia há uns sete, oito anos, sabe que eu não tinha nada a ver com modelo, era bem diferente: tinha orelhinha de abano, dentinho de coelho, usava óculos fundo de garrafa, tinha cabelo grande, era gordinho. Modelo era uma área que eu nunca pensava em seguir; um dia posso até mandar algumas fotos para o seu site para provar que não é mentira.
No final de 1999, início de 2000, mesmo estando na faculdade, começaram a surgir as primeiras propostas para trabalhar como modelo. Um amigo meu de Juiz de Fora me convidou para fazer o catálogo de moda da loja dele, a nível regional, daí me convidaram para desfiles, as coisas foram acontecendo, os trabalhos foram surgindo.
Nessa época, eu já estava no 7o. período de Direito, mas resolvi largar a faculdade e ir para o Rio de Janeiro. No verão de 2001, apareci no Rio de Janeiro, com a cara e a coragem, sem conhecer nada, apenas com indicações de agências.
Fiz meu primeiro book, as fotinhos nem ampliadas eram, eram 10x15 ainda. Fui direto para a Mega, onde fui muito bem recebido pelo Ike Cruz, que hoje é empresário da Juliana Paes e, na época, era o booker principal da agência; ele gostou muito de mim, disse que achava que eu tinha bem a ver com o perfil do Rio de Janeiro, seria legal se eu me mudasse definitivamente para lá, isso me incentivou.
Voltei para Juiz de Fora, falei com meus pais. Trabalhava como gerente de uma academia de ginástica já há três anos, tinha um empreguinho bom, fazia faculdade federal, que ficava perto de casa, não tinha gastos com moradia. Tinha minha vida toda planejada, predestinada a ser aquilo que eu sempre pensei. Larguei tudo e fui morar sozinho no Rio. Não tinha dinheiro nem para pagar o aluguel, morava de favor no apartamento da mãe de um amigo meu, que realmente entendeu que, no início, eu não teria condição de pagar. Quando os trabalhos foram surgindo, comecei a pagar um aluguelzinho para ela. Me dei bem logo de cara, os trabalhos foram surgindo, vi que a carreira estava dando certo.

E o concurso de Mister Brasil, como surgiu?
No final de julho daquele ano, recebi um convite para participar do Mister Brasil, através do Neil Brasil, que comandava o Miss e Mister Rio de Janeiro junto ao Mário Heringer, hoje deputado federal. Eles me convidaram e me deram todo o apoio e todo o patrocínio para participar do concurso em Recife. Na verdade, fizeram um casting procurando modelos para a agência Kinze Eventos, do Rio de Janeiro: fui fazer um teste, a princípio publicitário, não sabia que era para o Mister Rio de Janeiro.
Aceitei, não tinha nada a perder na época. Fui com a cara e a coragem, sem muita pretensão. Nunca tinha viajado de avião. No mínimo, ia conhecer a capital do Pernambuco, conhecer o Nordeste. O concurso Mister Brasil aconteceu em Jaboatão dos Guararapes. Fui lá, participei, com a maior das simplicidades, fiz vários amigos. O concurso foi junto com o Miss Brasil/World, quem ganhou foi a Joyce Aguiar, paulista de Votuporanga.
(No anúncio dos resultados finais) aconteceu até uma coisa curiosa: o Luciano do Valle e a mulher dele (os apresentadores do evento) me chamaram em terceiro lugar. Foi muito engraçado, quem viu o tape ou viu o concurso, pôde perceber isso.
Ganhei o concurso e, desde então, as portas se abriram. Tive uma abertura na mídia, fui a alguns programas de TV, como Serginho Groisman, Esporte Espetacular e Adriane Galisteu. Comecei a participar de eventos com a Gaeta e, paralelamente, continuei trabalhando como modelo. Passei a viajar Brasil afora, fui a vários concursos de beleza no Nordeste, em Goiás, no Mato Grosso e no Sul. Um dos prêmios do concurso foi uma viagem para Fernando de Noronha, fui com a minha mãe. É muito bacana o contato com culturas diferentes: esse foi o grande prêmio, nem tanto o ganho em dinheiro. Conhecer um pouco do nosso Brasil, conhecer pessoas diferentes, conhecer culturas diferentes, a oportunidade de viajar e fazer contatos, o que até hoje tenho feito.

Como foi a experiência de trabalhar como modelo na China?
As coisas na parte de mister foram caindo no esquecimento. Os trabalhos não foram surgindo tanto, eu não estava aparecendo muito na mídia, não deram tanta credibilidade quanto eu esperava, é um concurso novo, as pessoas ficavam até meio receosas por não saber do que se tratava.
Em 2002, passei num casting e fui morar fora do país, morar na Ásia, em Hong Kong. Abandonei meu posto de mister, fui desbravar, com a cara e a coragem, o mercado asiático. Já falava Inglês, tinha feito curso de Inglês (durante) cinco anos, mas não dominava tanto a língua assim, não tinha prática, mas dava tranqüilamente para sobreviver lá.
Cheguei em Hong Kong no final de outubro de 2002 e lá morei por três meses, trabalhando como modelo, fiz comerciais de TV, editoriais, catálogos de moda, desfiles, etc. Depois fui para Seul, na Coréia do Sul, onde fiquei por dois meses.
No início, ia ficar seis meses na Ásia, mas, no quinto mês, tive uma tragédia na minha vida, que foi quando perdi meu pai, que faleceu assim, do nada. Estava fora do país, tive que voltar às pressas. Foi uma fase bem difícil de minha vida. Hoje, graças a Deus, estou conseguindo superar com o apoio da minha família, que é muito unida. A gente tem que aceitar, é o destino natural de todo mundo. Com esses tombos, a gente se reergue mais forte e passa a dar valor a coisas que passavam despercebidas.
Em janeiro, voltei para Juiz de Fora para ficar com a minha família. Somos três filhos: Carla, 28 anos, fisioterapeuta, mora em BH; eu, com 26, sou o filho do meio; e Carolina, 24, faz Veterinária em Juiz de Fora. Até pensei em abandonar a carreira, abandonar tudo. Mas acho que Deus nunca dá nada que a gente não possa superar, acho que a dor é sempre comedida.

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