Modelos
Links

Entrevista/Interview

Entrevista: Gustavo Gianetti, Mister Mundo 2003

O bom mineiro

<< parte 1 <<

Quando você resolveu disputar o Mister Mundo?
No final de maio (de 2003), o Boanerges (Gaeta Junior, diretor do Miss e Mister Brasil) me ligou pra dizer: 'vai ter o concurso de Mister Mundo este ano e você, como o atual Mister Brasil, tem o direito e o dever de participar. Sei que você não está numa fase boa da sua vida, está passando por problemas pessoais, mas estou te abrindo as portas, se você quiser ir, vai ter o nosso apoio, vai ter todo o suporte financeiro para poder ir e participar'.
Minha mãe me apoiou muito: 'você chegou aqui, não vai ser agora que você vai abandonar. Tenho certeza de que seu pai vai estar lá em cima te guiando, guiando seus passos, torcendo para você'. Resolvi ir.
Tive um tempinho para me preparar, fazer musculação, cuidar da alimentação, dieta, cuidar da pele. Fui sem muita pretensão. Até achava que não ia ganhar na época, não sei. Como eu falo, já seria um prazer conhecer Londres.
O concurso aconteceu em agosto. Éramos 41 candidatos de 41 países. Até hoje tenho contato com as pessoas, fiz várias amizades. Meu companheiro de quarto era o Mister Angola. Ficamos uma semana entre ensaios e passeios em Londres. Isso é importante destacar: o concurso não é só um dia e, no ano passado, o concurso de Miss Brasil retratou muito bem isso: a concentração, mostrando como são os bastidores do concurso e os dias que o precedem.
Em 09 de agosto, num sábado, nos reunimos todos num teatro para a final do concurso. Minha torcida era única e exclusivamente o Boanerges, com a bandeirinha no bolso, cheio de esperança. O Boanerges chegou a Londres uns três dias depois de mim, dois dias antes do concurso. Me chamaram entre os Top 10, respondi às perguntinhas no palco. Na sexta-feira, um dia antes do evento, você tem entrevista com todos os jurados, uma prévia, entrávamos de três em três. Você tinha a opção de falar no seu idioma ou em Inglês. Resolvi fazer em Inglês, já que não tinha tradutora em Português, somente em Espanhol. Acho importante, conta pontos demonstrar aquilo que você pensa em Inglês, saber se comunicar numa língua universal.
Aí chamaram o Top 5: eu, Bélgica, Líbano, México e Barbados. Respondemos outra pergunta. Eu achava que o candidato da Bélgica ia ganhar. Quando o chamaram em terceiro lugar, foi aí que eu vi que poderia ganhar esse concurso, as esperanças começaram a surgir. Chamaram Líbano em segundo. Como os outros candidatos tinham sido surpresa para mim, vi que tinha 99% de chances de ganhar. Quando chamaram meu nome como o novo Mister Mundo, fiquei muito feliz. Acho que os próprios candidatos gostaram muito do fato de eu ter levado esse título, acho que, como bom mineiro, ganhei a simpatia da galera, me levantaram, me jogaram para o alto.
Tive que ficar umas duas, três semanas em Londres. Já no outro dia, dei uma entrevista para o Breakfest News, da BBC de Londres. Enquanto isso, o Boanerges no Brasil ia estruturar a minha chegada, agendar a minha participação em programas de TV, para tornar público um concurso que, até então, pouca gente conhecia, mostrar o que era esse concurso, que até eu, antes de participar, tinha uma impressão errada, pensava que fosse concurso de fisiculturistas, halterofilistas, etc. A mídia se abriu: fui aos programas da Hebe, Galisteu, Gugu, até no Ratinho eu apareci, para escolher a Garota da Laje, num concurso que eles estavam promovendo.

As pessoas entendem a importância de você ter conquistado o mais destacado título internacional de beleza masculina?
O Brasil ganhou um título de beleza internacional, as pessoas se orgulharam disso. As pessoas que trabalham com concursos de beleza, os missólogos, aqueles que entendem de concurso de beleza, sabem da importância, sabem o que representa esse título, valorizam muito.

O que é que te fez ganhar esse concurso?
Quando me perguntam o que é preciso para ser mister, eu digo que tem que ser todo um conjunto; 'de que vale a casca, se o interior é podre?', vamos dizer assim. Não adianta ter um rosto bonito, um abdômen sarado, 'six pack', como eles falam, uma perna bem talhada, de nada vale isso se você não tiver conteúdo. Ter uma desenvoltura na passarela, a estrelinha brilhar na hora, ter uma boa dicção, saber se expressar bem, tudo isso é importante. A minha experiência como Mister Brasil em 2001 e 2002, a viagem para a Ásia, toda essa minha bagagem como modelo, acho que isso me ajudou muito, foi uma escola para chegar num concurso desses preparado. No fundo, estava preparado e sabia que, se ganhasse esse concurso, conseguiria representar bem o meu país e o mundo a nível de beleza. Então, é de tudo um pouco; o interior é muito importante, você ser uma pessoa com um mínimo nível de cultura, saber se expressar, saber sobre o seu país.

O que você faz para se manter atualizado?
Hoje em dia, faço a faculdade de Direito, leio bastante, nos aeroportos, estou sempre com um livrinho de Direito, assisto filmes. E tem também a escola da vida, viajar pelo Brasil inteiro; sempre que vou a um lugar, me interesso ao máximo em saber como é a cidade, de que vive a cidade, a sua economia; viajando, você aprende muito, você se atualiza na prática, acho que essa é a minha principal fonte de atualização.
Também sou internauta, sempre à noite estou lá, checando meus e-mails, tenho meu site, meu fotolog, que é uma nova mania, é bem acessado, onde eu faço meio que um Pedro Bial, um Zeca Camargo, mostro minha volta ao mundo, os lugares a que eu vou, tenho divulgado o que eu tenho feito, onde estou. É um lugar onde as pessoas podem me encontrar, saber o que eu tenho feito, onde eu estou. Também fizeram um blog a meu respeito, algumas pessoas que me admiram, que passaram a ter contato comigo, os fãs que pegam meu e-mail e me escrevem.

Dessas viagens todas, qual você destacaria como a melhor?
Fiquei fascinado pela China; morei em Hong Kong, mas a maioria dos meus trabalhos eram em Shanghai, Pequim, Shinzen, no litoral chinês todo. Eu mesmo tinha uma expectativa errada, achava que, por ser um país de cultura milenar, era meio atrasado. Mas tem belezas naturais fascinantes, praias maravilhosas, a cultura do oriental também muito me fascina, os templos budistas. Um lugar que me fascinou muito foi Shanghai, que mistura um pouco dessa modernidade com a cultura milenar, você vê prédios gigantescos ao lado de uma casinha milenar. Seul também é um lugar muito bacana.
Tive a oportunidade de retornar, no ano retrasado, para o Miss Mundo em Sanya, uma ilha ao sul da China, um lugar maravilhoso, bem bonito mesmo. É sempre prazeroso ter contato com todas as candidatas do mundo todo, do meio em que a gente vive.

Quando você vai passar o título de Mister Mundo?
Esse ano não vai rolar. Via de regra, acontece de dois em dois anos, mas tudo indica que vai acontecer no ano que vem na Escócia, como estava programado. A organização ainda não sinalizou com a data definitiva, acho que eles estão bastante envolvidos com o Miss Mundo, e o sucesso que tem sido realizar o concurso na China.
Mas eu até gostaria que desse uma atrasadinha, para ficar reinando mais tempo, ficar viajando e poder aprender cada vez mais com isso. Foi bom ter ganho esse concurso, tornar isso público. Até então as pessoas tinham um certo preconceito, uma visão meio errada; não quer dizer que o homem que participa dos concursos de beleza é um homem afeminado, menos homem, vamos dizer assim. Por que não os homens poderem participar de um concurso que tem como escopo a beleza?

Você é reconhecido nas ruas?
Tenho um certo reconhecimento, em alguns lugares isso é mais forte, em outros não. No Nordeste, isso é bem bacana, talvez porque o concurso tenha sido lá.

O público entende bem a função de um mister?
As pessoas sabem que a função do mister é basicamente a função da miss. É sempre bom falar um pouco da coisa da 'beleza com propósito', ou seja, agregar a sua imagem a uma finalidade social, abraçar causas sociais. Estou participando de uma campanha bem bacana em Muriaé, na Zona da Mata mineira, para ampliar o hospital das crianças com câncer. Ter o ideal de poder ajudá-los é muito importante. Além da oportunidade de conhecer o Brasil e o mundo e, é claro, também fazer seu pé-de-meia.


>> parte 3 >>